
The Young Gods [concerto acústico]
17 Novembro 2007
C.A.E.P. / Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre
Uma banda quando é grande, é grande
independentemente do formato em que escolhe apresentar-se [eléctrico, electrónico, acústico] e, em Portalegre na magnífica sala do Centro de Artes do Espectáculo, os Young Gods provaram que não são apenas grandes. São enormes. E eu, que começava a duvidar da sua validade enquanto força criativa, vim do Alto Alentejo [novamente] rendido aos encantos das canções e emoções compostas por Franz Treichler, Al Comet e Bernard Trontin.
Actuando pela
enésima vez em Portugal, [os primeiros concertos foram há cerca de 20 anos: em Lisboa, no Cinema Alvalade, e em Coimbra, na discoteca Broadway, alguém se recorda?], os Young Gods provaram, como se fosse necessário, que continuam a ser uma das mais inventivas e importantes bandas das últimas décadas.
Apesar de em diversas ocasiões os Young Gods terem dado provas de uma capacidade de reinvenção muito pouco comum, a banda suiça
conseguiu em Portalegre surpreender todos os presentes com as roupagens acústicas criadas para temas como “I’m the Drug”, “Gasoline Man”, “Gardez lesEsprits” ou “Longue Route”, temas onde a electricidade e/ou a electrónica são predominantes. Quem esperava um concerto frouxo, em virtude do formato acústico, enganou-se redondamente e não terá saído defraudado desta actuação que se iniciou com “Our House” [de “T.V. Sky”] e prosseguiu com “Everywhere” e
“I’m the Drug” [do mais recente e “politizado” álbum “Super Ready / Fragmenté”]. A banda, neste formato acústico reforçada por um guitarrista [extraordinário músico, diga-se], entrou depois por territórios mais conhecidos e reconhecíveis [“Gasoline Man”, “Speak Low” – originalde Kurt Weil – e “Charlotte”], antes de elevar as mentes e transportar os espíritos para longe, muito longe no meu caso, devo confessar, com uma sequência absolutamente sublime: “Gardez les Esprits” [com
“interferências” de “Ghostrider” dos Suicide] e “Longue Route”.
Antes de abandonarem o palco pela primeira vez, houve ainda tempo para mais dois temas [“She Rains” e “Freedom”, este um originalde Richie Havens] que serviram para “desanuviar” o ambiente criado com a sequência anterior e nos trazer de volta à Terra. Para os encores, os Young Gods guardaram mais uma versão [“Everything In Its RightPlace” dos Radiohead], o inevitável [e perfeitamente escusado, na minha opinião] “Skinflower” e finalmente “Stay With Us”.
Uma noite
para recordar, por um concerto a roçar a perfeição, numa excelente sala, com uma acústica invejável e praticamente esgotada. Quem foi não se esquecerá tão cedo e quem não foi… Paciência.
Após o concerto no auditório do C.A.E. portalegrense a festa prosseguiu no café-concerto do mesmo espaço, com a presença do Young Gods, que mais uma vez demonstraram que, além de enormes músicos, são ainda pessoas
simples e acessíveis, ao contrário de muitas rock’n’roll stars que por aí polulam… Simplicade e acessibilidade de que já haviam dado mostras durante o próprio concerto não se furtando a entrar em diálogo com a assistência, respondendo às “bocas” e pedidos vindos da plateia, evidenciando uma boa disposição e alegria contagiantes.
Texto - João Gonçalves [Module # 90M/061659]
Fotografia – Miguel Silva [Noctvrno]

